20 maio 2010

Visita


Não me lembro de ter antes comentado como me admiram as visitas que ele me faz.
Também não tem muito tempo que parei para me questionar do por que dessas visitas. Sem exceções e sem regras, nas primeiras vezes em que ele apareceu, sua chegada era anunciada pelos tons avermelhados das nuvens no horizonte. Era ao vê-las que eu sabia: em breve ele estaria 'aqui'.

Logo da primeira vez que o vi, ele me tomou completamente de surpresa! Carregando sua cesta - sim uma cesta - como de costume, timidamente, ao se aproximar de mim, colocou a mão direita dentro de sua cesta e em seguida estendeu-a para mim - então estática, com os olhos hipnotizados por aquela criatura -. Ele me entregou uma maçã, e partiu.
Demorei uns 15 segundos para processar aquele momento (que durara menos da metade do processamento) e então entrei em casa, com a maçã em mãos.
Mal sabia aquela criatura, eu supus, que maçã era  minha fruta favorita, e aquela maçã... jamais vira uma maça como aquelas antes! Indescritivelmente saborosa, parecia que vinha com meu nome escrito nela.
Logo a devorei, como se estivesse me deliciando com algum tipo de banquete.

Da segunda vez em que ele apareceu, horas antes pensei na possibilidade de reencontrá-lo, mas não quis criar muitas expectativas. Afinal, o que ele traria desta vez?
Flores! Me trouxera flores, acompanhadas de um sorriso. E por seguinte, elas vieram de todas as formas, cores e perfumes.

Já na décima primeira vez, o esperava do lado de fora da casa. Eu sabia: ele viria!; e não diferente de nosso primeiro encontro, me traria algo surpreendente.
Em seu modo único de cartesianismo, chegou pontual. Mas as nuvens não eram mais avermelhadas. O frio do Outono as pintou de cinza, poetizando ainda mais àqueles encontros.
Quase confundido com o completo breu, chegou sorrateiro. E pegando em minhas mãos congeladas, ao me encarar, pôs fogo em meus olhos. Ele havia me trazido o silêncio. E foi só então que compreendi a sua importância.

4 comentários:

Guilherme Sakuma disse...

Maria Eliza (agora vou te chamar assim, posso?), isso aqui é lindo! Brilhante, genial, completamente perfeito , inspiradíssimo, emocionante e ponto final!

Tô aqui no serviço e parei completamente o que eu tava fazendo pra ler por 5 vezes esse seu miniconto.

Ainda não estou acreditando...

Maria Eliza Marques disse...

Uau, uau, uau! Consegue imaginar essa expressão no meu rosto? De 3 vezes "uau" mudo?
Pois vou te dizer uma ou duas coisas...vejamos:
esses comentários pra mim, tendo vc como titular, servem de inspiração.
(são duas coisas)ou seja, o que seria do meu blog sem suas visitas?

Sim, sim, Maria Eliza pode! Só não separe os 2!

Guilherme Sakuma disse...

1-Na verdade consigo imaginar essa expressão sim! Foi com essa mesma que eu fechei a quinta "lida" no seu conto.

2-Putz... posso te falar uma coisa? Eu achei que fosse isso. Eu tive quase certeza, mas jamais falaria a respeito disso se você não falasse antes; não sou cheio de mim nem nada, apenas meio que percebi, porque, como eu te disse antes, consigo entender o que você escreve. E isso é raro, porque não entendo nada do que os outros escrevem.
Outra coisa que eu tenho pra te falar é que, me sinto mais do que privilegiado por servir de inspiração pra esse conto que pra mim foi tipo um buraco se abrindo no céu ou chuva no Ártico...
Desculpe se isso está confuso e rançoso, mas é que na maioria das vezes eu sou péssimo me expressando e “essa vez” também não escapou. Aliás estou pior do que nunca...
Provavelmente tenho mais coisas pra te falar a respeito disso e de todo o resto, de modo que eu não vou ficar me prolongando mais e vou te pedir o seu MSN logo, que aí a gente pode conversar bastante. Simplesmente acho que a gente tem que falar um com o outro.
O meu MSN tá lá no meu blog, se você quiser me adicionar... Ou me manda o seu pelo meu blog ou e-mail que eu te adiciono.

3-Hahaha! É, eu também tinha certeza que você não gostava dos dois separados. Telepatia?


Beijos Maria Eliza, tô sem palavras ainda...

Anônimo disse...

Muito lindo e inteligente.